PORTUGAL E A CRISE (2013) – Um filme de Giovanni Alves

Está disponível na rede e nós indicamos o mais recente filme produzido pelo Sociólogo e Professor da UNESP Giovanni Alves (um dos mais importantes teóricos da Sociologia do Trabalho no Brasil) que aborda a crise europeia a partir do contexto português, e os destrinchamentos que as novas etapas do Capital globalizado implicam nos movimentos que o questionam.

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Um Filme como os Outros, de Jean-Luc Godard e Jean-Pierre Gorin

Dia 29 de maio de 2014, às 14h, no auditório do Mestrado em Geografia (UECE).

No próximo dia 29 de maio (quinta-feira) o Cinema e Revolução exibirá “Um Filme como os Outros (1968)”, uma obra do Grupo Dziga Vertov, dirigidoFilmeComoOutrosPRVW2 por Jean-Luc Godard e Jean-Pierre Gorin, o filme provoca reflexões sobre o maio de 68. Após a sessão debate com o Professor Nilo Sérgio.

Um Filme como os Outros, Jean-Luc Godard e Jean-Pierre Gorin, 1968, 120’.

O filme apresenta um grupo de jovens sentados no chão conversando sobre política. Aos poucos é entrecortado por Ciné-tracts filmados por Godard em Paris e em Flins, em frente à fábrica da Renault. Os ciné-tracts eram pequenos filmes de 3 mins., filmados em preto e branco (16mm) e editados na própria câmera. Eram compostos por assembléias e passeatas em torno das discussões políticas do ano de 1968 na França com a intenção de traballho coletivo, sem a assinatura do diretor. A trilha sonora de “Um filme como os outros” trabalha com fusões de sons locais, diálogos e slogans em francês e inglês e vai iniciar uma frequente intervenção na montagem em nome do diálogo entre imagem e som nos filmes posteriores do Grupo Dziga Vertov.

Nilo Sergio Aragão é graduado em ciências sociais pela ufc, onde pesquisou as relações entre a derrota das lutas de guerrilha e a chegada do pensamento de Gramsci no Brasil. É professor de escolas privadas do ensino médio e da Fa7. Hoje pesquisa principalmente as obras de Daniel Bensaid, Walter Benjamin e Hannah Arendt.

Artigo “Repercussões da Revolução dos Cravos”

A revista Tensões Mundiais, publicação periódica do grupo de pesquisa Observatório das Nacionalidades, tem produzido importantes análises sobre as novas morfologias das nações à luz de seus processo histórico, culturais e políticos, assim dentro dessa perspectiva, publicou uma importante análise sobre a Revolução dos Cravos em Portugal, e que achamos importante divulgarmos afim de continuar enriquecendo as leituras desse fato histórico, assim como fizemos na exibição do “Bom Povo Português”. Disponibilizamos o link e o endereço eletrônico do periódico do grupo para outras pesquisas.

“Em 25 de abril de 1974, caía em Portugal a mais antiga das ditaduras europeias, através de um movimento articulado essencialmente pela oficialidade mais jovem das Forças Armadas portuguesas e por setores mais “liberais” da elite militar, dando início a um período marcado por intensas agitações políticas e sociais. Este quadro foi determinante para que, em um momento de recrudescimento da Guerra Fria, os olhos do mundo se voltassem para Portugal e para suas ex-colônias, fazendo com que estas áreas passassem a desempenhar um papel de extrema importância nos cálculos políticos das grandes potências dentro da arena internacional.”

Clique aqui para baixar o artigo na íntegra!

Revista Tensões Mundiais

Bom Povo Português, de Rui Simões

28 de abril às 14h, no auditório da Pós-Graduação em Geografia da UECE

Em abril sessão em comemoração aos 40 anos da Revolução dos Cravos (Portugal).
+ cadernetinha revolucionária!

Bom Povo Português, Rui Simões, 1981, 135’.posterFINAL

“Porquê que as pessoas morrem?
Porque trabalharam muito.”

Esta foi a resposta de um menino numa sala de aula. Filho de uma revolução e de um povo com fome e cheio de esperança. A ditadura é hipócrita e a necessidade cala-nos sutilmente até dar lugar à revolta. E diante da revolta, sobra a estranheza de não saber lidar com a liberdade e é quando tudo acontece.

“Este filme procura traçar a história dos acontecimentos entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975, tal como ela foi sentida pela equipa que, ao longo deste processo, foi ao mesmo tempo espectador, actor, participante, mas que, sobretudo, se encontrava comprometida com o processo revolucionário em curso.”.

Henri Randel Costa é historiador, com Mestrado em História pela UFC, onde desenvolveu pesquisa sobre a luta armada contra a ditadura civil-militar de 64. Atualmente investiga a vida do dominicano Frei Tito Alencar de Lima.

Cabra marcado para morrer de Eduardo Coutinho

24 de março às 14h, no auditório da Pós-Graduação em Geografia da UECE

Em março sessão especial!

Nessa edição prestamos nossa homenagem ao mestre Eduardo Coutinho, um dos mais importantes e revolucionários cineastas da atualidade, com a sessão “Cabra marcado para morrer”.

 Cabra marcado para morrer, Eduardo Coutinho, 1984, 120’

Em 1962, o líder da liga Camponesa de Sapé (PB), João Pedro Teixeira, é assassinado por ordem de latifundiários. Um filme sobre sua vida começa a ser poster_14-3_versaoA_PRVWrodado em 1964, com a reconstituição ficcional da ação política que levou ao assassinato, e com a produção do CPC da UNE e do Movimento de Cultura Popular de Pernambuco, e direção de Eduardo Coutinho. As filmagens com a participação de camponeses do Engenho Galiléia (PE) e da viúva de João Pedro, Elizabeth Teixeira, são interrompidas pelo Golpe Militar em 1964. Dezessete anos depois, em 1981, Eduardo Coutinho retoma o projeto e procura Elizabeth Teixeira e outros participantes do filme interrompido, como o camponês João Virgílio, também atuante em ligas. O tema central passa a ser a história de cada um deles que, estimulados pela filmagem e revendo as imagens do passado, elaboram para a câmera os sentidos de suas experiências. João Virgílio conta a tortura e a prisão que sofreu neste período. Enquanto Elizabeth, que havia mudado de nome e vivia refugiada numa pequena cidade da Bahia com apenas um de seus dez filhos, emerge da clandestinidade e reassume sua identidade. Ela também fala de sua prisão e do reencontro com os filhos, antes dispersos por várias cidades do Brasil, e da tentativa de reconstituir suas vidas.

Emmanuel Teixeira Carneiro é historiador, mestrando em história pela Universidade Estadual do Ceará. Membro do Instituto Caio Prado Jr. Pesquisa história do comunismo no Brasil. Atualmente estuda a interpretação dos comunistas do Partido Comunista Brasileiro (PCB) sobre o Brasil.

A saída dos operários da fábrica, de Harun Farocki


27 de fevereiro (quinta-feira), às 14h, no auditório da Pós-Graduação em Geografia da UECE

Cinema & Revolução exibe o filme “A saída dos operários da fábrica”, de Harun Farocki. Após a sessão teremos debate com Alexandre Veras.

A saída dos operários da fábrica (Arbeiter verlassen die Fabrik), de Harun Farocki
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Alemanha, 1995, vídeo, cor/pb, 36’ | Legendas em português | Exibição em DVD

A partir de um dos primeiros filmes dos irmãos Lumière, considerados os pais do cinema por terem captado e exibido publicamente as primeiras imagens em movimento da história, as quais relevam que a primeira câmera da história do filme foi dirigida ao mundo do trabalho, Farocki faz uma montagem com cenas produzidas ao longo de 100 anos de história do cinema em que contém variações do motivo “A saída dos operários da fábrica”, extraindo assim, imagens e reflexões sobre a iconografia, a economia da sociedade de trabalho, e também sobre o próprio cinema.

Alexandre Veras é realizador em audiovisual e fundador da ONG “Alpendre – Casa de Arte, Pesquisa e Produção”, na qual coordenou o Núcleo de Vídeo, os projetos de formação e foi co-responsável pela curadoria do núcleo de Artes Plásticas, que realizou intervenções com artistas de todo o país. Trabalha com vídeo desde 1989 e tem desenvolvido intensa atividade como professor de vídeo, trabalhando com oficinas de vídeo-arte, documentário, videodança, história e teoria do filme experimental. Vem desenvolvendo pesquisas e produções em videoarte, videodança, imagens projetadas e colaborado em projetos de vídeo e videoinstalações com diversos artistas. De suas produções, destacam-se As Vilas Volantes – O Verbo Contra o Vento e Linz – Quando Todos os Acidentes Acontecem.

Cinema da Crise no séc. XXI

Cinema e Revolução retoma suas atividades com sessão dupla.

A programação do Cinema e Revolução terá continuidade em 2014 nos dias 22 e 23 (quarta e quinta) de janeiro, às 14 horas. Com o tema “Cinema da Crise no séc. XXI” (Sec. XXI – as origens da crise) essa dupla sessão exibirá “Surplus“, de Erik Gandini, e “As origens do séc.XXI”, de Jean-Luc Godard & Anne-Marie Miéville. Ressaltando os impactos da crise sistêmica do Capital e as novas formas de luta política e expressão estética surgidas nas primeiras décadas deste século. Também está relacionado à crítica de Walter Benjamin sobre os perigos da estetização da política e a necessidade de pensar a politização da estética. Após as sessões teremos debate com os professores Giovanni Alves [UNESP] Meneleu Neto [UECE].

  • Dia 22 – quarta-feira

A origem do século XXI – (L’Origine du XXIème siècle)

Encomendado pelos organizadores do festival de Cannes para comemorar a entrada do cinema no século XXI, para ser exibido no festival do ano 2000, Godard oferece nesse curta uma montagem com cenas de guerras e atrocidades cometidas durante o século XX, ascenção de regimes totalitários, cenas de pornografia e execuções, entremeadas por alguns instantes de beleza e felicidade. Vemos também trechos de filmes como “o iluminado” de Kubrick e seu “acossado”.

Diretores: Jean-Luc Godard & Anne-Marie Miéville

Documentário, 15’, 2000, França

Debate com Giovanni Alves e José Meneleu Neto

  • Dia 23 – quinta-feira

Surplus – Terrorized Into Being Consumers

Você já parou para pensar o quanto nossa sociedade produz e consome de bens supérfluos? Um quinto da população mundial consome quatro quintos dos recursos do planeta terra e gera 86% de todo desperdício. O discurso do presidente estadunidense George Bush encorajando as compras, após o 11 de setembro, e uma garota de Cuba que sonha com um Big Mac é apenas um dos contrapontos apresentados no filme. O documentário se apropria de alguns elementos usados na linguagem publicitária para criticar o consumo exagerado e a posição dos países desenvolvidos.

http://www.atmo.se/film-and-tv/surplus/

Diretor: Erik Gandini

Documentário, 54’, 2003, Suécia

Debate com Giovanni Alves e José Meneleu Neto

Convidados:

Giovanni Alves

é professor da UNESP-Marilia, livre-docente em teoria sociológica, pesquisador do CNPq com bolsa-produtividade desenvolvendo projeto de pesquisa intitulado: A derrelição de Ícaro – Sonhos, expectativas e aspirações de jovens empregados do novo (e precário) mundo do trabalho no Brasil (2003-2013). É um dos líderes do GPEG – Grupo de Pesquisa Estudos da Globalização (http://globalization.cjb.net), inscrito do diretório de grupos de pesquisa do CNPq; e da RET – Rede de Estudos do Trabalho(www.estudosdotrabalho.org). Coordena os seguintes projetos de extensão universitária: Projeto de Extensão Tela Critica (www.telacritica.org) voltado para a produção de material pedagógico de contéudo sociológico que visa discutir temas da sociedade global através da análise critica de filmes do cinema mundial; Projeto CineTrabalho/Praxis Video, voltado para a produção de videos que tratem das experiencias vividas e experiencias percebidas do mundo do trabalho e o Projeto OST – Observatório Social do Trabalho (www.observatoriodotrabalho.org) que visa criar um acervo virtual que trate das experiências narrativas de precarização do trabalho no Brasil. É autor de vários livros e artigos na área de trabalho, sindicalismo e reestruturação produtiva. Home-page: www.giovannialves.org.

José Meneleu Neto

Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará (1985), mestrado em Economia pela Universidade Federal do Ceará (1992) e doutorado em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (2000). Foi Secretario de Planejamento de Fortaleza entre 2006 e 2009. Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual do Ceará. Tem experiência na área de Mercado de Trabalho, Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Economia Política, atuando principalmente nos seguintes temas: mercado de trabalho, reestruturação produtiva, território e espaço urbano.

Outubro, de Sergei Eisenstein

20 de Novembro, às 14h, no auditório da Pós-Graduação em Geografia da UECE

Nessa sessão o cinema e Revolução exibe “Outubro” (Oktyabr, 1928), de Sergei M. Eisenstein. O filme propõe um retrato histórico-dramático da Revolução Russa de 1917; numa linguagem que aproxima drama e documentário são reencenados os eventos históricos compreendidos Proposta 11.1entre a queda da dinastia Romanov e a ascensão bolchevique ao comando da Revolução. O filme foi feito para a comemoração do 10º aniversário da Revolução Russa.

Sobre o Filme:

Em tom de documentário, acontecimentos em Petrogrado são encenados desde o fim da monarquia, em Fevereiro de 1917, até o fim do governo provisório em Novembro do mesmo ano. Lenine volta à Rússia em Abril. Em Julho, os contra-revolucionários mandam prendê-lo. Em Outubro, os Bolcheviques estão prontos para atacar: os dez dias que abalaram o mundo (como no livro de John Reed)

Salvador Allende, de Patricio Guzmán

22 de outubro, às 14h, no auditório da Pós-Graduação em Geografia da UECE

Cinema e Revolução é um cineclube que tem como propósito discutir as revoluções sociais e estéticas através do cinema. Iniciaremos uma nova fase tendo como tema a Revolução Chilena e o golpe militar de 1973. O filme de Patricio Guzmán, SalvadorProposta 4.1 Allende (2004), resgata a figura de Allende e a luta em torno de sua memória, no momento em que, passados 40 anos, os fantasmas ainda estão presentes na sociedade chilena. A via pacífica para o socialismo, a influência norte-americana no golpe e os dramas humanos estão condensados nesse documentário. Após a sessão teremos uma conversa com Adalberto Alencar, um educador cearense cuja a vida está indelevelmente envolvida pelos acontecimentos no Chile. Faz parte de uma família de exilados brasileiros sobreviventes do golpe, projetando assim, uma perspectiva pessoal e singular aos eventos.

Sobre o Filme:

Em 11 de setembro de 1973, um golpe militar de Estado abate a revolução do Chile eliminando o presidente eleito Salvador Allende. O diretor Patricio Guzmán ressuscita o presidente deposto, figura carismática levada ao suicídio e cuja ditadura tratou de apagar a memória. Como é recordado nos primeiros momentos do filme, já não ”resta nada, ou quase nada, de Salvador Allende”. Somente um pedaço de óculos quebrado e alguns papéis encontrados sobre seu corpo sem vida. Em uma homenagem emocionante, Guzmán rende a esta personalidade farol do século 20 uma homenagem ao mesmo tempo íntima e distante, propondo uma reflexão sincera sobre certo ideal político.

“Cinema e Revolução” – O percurso do cineclube

Proposta de Logo Cinema e Revolução 3

O Cinema e Revolução está fundamentado num duplo movimento. De um lado, revisitar momentos de revolução social sob a ótica do cinema, provocando a reflexão histórica do “passado pelo presente”. De outro, compreender o cinema como síntese do fluxo de rupturas estéticas cujas origens estão conectadas ao turbilhão de modernidade fugidia e exasperante que marca nossa condição.

O movimento de cerco representado por esse duplo esforço pretende impulsionar a imaginação e a teoria críticas na direção dos centros nervosos da vida social, dissolvendo concepções cristalizadas, fronteiras rígidas e clichês. É, portanto, a construção de uma perspectiva que se origina na experiência estética e se desdobra na mobilização de referências que levam para além do lugar comum estabelecido.

O Projeto original e seus desdobramentos:

“Cinema e Revolução” nasceu como um projeto de leitura crítica das mudanças sociais através do cinema. Partiu da compreensão que o registro histórico das revoluções nos séculos XX e XXI está estreitamente ligado ao desenvolvimento da estética do cinema – uma arte produzida para as massas. Tem sido recorrente pensar revolução social e cinema através da analogia entre a Revolução Russa e a estética de Eisenstein. Contudo, na seleção dos filmes procurou-se captar a diversidade histórica e estética, compondo um mosaico mais amplo e variado. Por isso, o projeto foi concebido inicialmente através de vários ciclos históricos, cada um deles com uma mostra de filmes representativos. Nos anos 2010 e 2011 foi desenvolvido o ciclo Latino Americano.

Ao longo do projeto, as discussões e debates levaram os objetivos originais a sofrer mutação em dois sentidos. No primeiro, optou-se pela ampliação do conceito de revolução social para além dos processos políticos clássicos, abrindo caminho para discussão de movimentos moleculares da sociedade: contracultura, feminismo, contestação estudantil, movimento antiglobalização, etc. Noutro sentido, a própria estética do filme passou ao centro do debate, reconstruindo a história social através do cinema como subjetividade artística.

Nessa nova fase estamos propondo levar o Cinema e Revolução para dentro da Universidade Estadual do Ceará, ampliando e fortalecendo um laço que já existe entre a comunidade acadêmica da UECE e o Cinema e Revolução.